quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Problema Resolvido

Oi filhão! Hoje você está completando 7 meses. Meus parabéns e obrigado por tudo que você fez e faz pra mim, desde a barriga de sua mãe.
Você está comendo bem (fruta mais do que sopinha), dormindo bem (acorda só uma vez por noite), brincando muito, gosta muito de colo (e eu de ficar com você no colo), adora um espelho, adora ficar brincando de andar e de subir escadas. Isso indica que você é bem ativo e esperto e por outro lado deixa a família toda com muita dor nas costas, pois a posição, abaixado, pra te segurar nessas brincadeiras não é fácil não...
Quando você não gosta de uma coisa, uma posição que estão te segurando, ou calor, ou frio, ou fome, ou mal humor mesmo, você resmunga. Quando você quer uma coisa que não consegue você reclama, reina e faz birrinha. Sua mãe chama isso de personalidade! Sua vó Bel fala que você é “brabinho”, eu acho que você está certo! Então, aí que eu digo: “acho que estou te mimando...”.

Não quero que você fique em uma posição desconfortável, ou com frio, ou em algum lugar que você não esteja curtindo. Por isso, sempre que você reclama, eu corro pra resolver. Você acredita que as pessoas ainda não entenderam que é você que manda? Vê se pode?
Nesses últimos dias, você acordou por duas ou três vezes as 4:00h da manhã com a corda toda, sem sono e querendo brincar. Sua mãe pacientemente (o que não é fácil as quatro da madrugada) ofereceu peito, cantou, rezou, embalou e você só chorava. Geralmente isso funciona, mas nesse dia não estava dando certo.
Aí não aguentei. Tomei uma atitude!  Peguei você no colo e disse: “agora você vai ver quem manda!”. Fiquei com você no sofá brincando até as 5:30, quando você resolveu dormir... fiquei com sono no outro dia, mas você adorou “a brincadeira da madruga”.  Problema resolvido!

O ultrassom dos 3 meses‏

Numa das primeiras “cartas”, prometi que iria contar do dia do segundo ultrassom. Um dos dias mais emocionantes da minha vida.

Eu sempre quis ter filho, costumo falar “só casei pra isso”, mas como já te falei, adultos são complicados. Sempre gostei de criança, desde que eu mesmo era uma. Sempre preferi as crianças que os adultos. Adultos são chatos, tem problemas e só pensam neles mesmos! Criança não. Cada criança sabe que ela é a coisa mais importante do mundo e mesmo assim divide, brinca, aceita opiniões, segue regras e não vê problema em tudo.
Então, eu e sua mãe nos casamos e só depois de 5 anos tivemos a notícia que você chegaria. Fizemos o teste de gravidez e confirmamos sua chegada. “Êêêê” vou ter uma criança!
Sua mãe achava que estava grávida de uma menina e que seria uma melhor mãe se você fosse uma menina. Se enganou duas vezes. Ela achava que iria te enfeitar com lacinhos e fitas, vestidinhos ou qualquer adorno desses femininos.  Ela me convenceu que era uma menina! Eu estava certo disso.
Então teve o primeiro ultrassom, lá estava você do tamanho de um feijão. Perfeito para sua idade gestacional. Saímos da sala muito satisfeitos por já escutar seu coraçãozinho e saber que uma nova vida iria mudar a nossa.
No segundo ultrassom, lá pelo terceiro mês de gravidez, fui mais despreocupado. Tinha chance de ver o sexo do bebe, mas eu estava certo que era uma menina. Já tinha comprado uma baba eletrônica rosa e um sachê com cheiro de menina para seu quarto (não chegamos a usar nada disso, não se preocupe). Na sala, um simpático médico de origem japonesa relatava sua ótima saúde e estadia dentro da barriga da sua mãe. No final da consulta, perguntou se queríamos ver o sexo. “Queremos!” respondi, em coro com sua mãe e no mesmo momento que pensei “...Pode mostrar, mas já sei que é uma menina linda...”. Foi aí que aconteceu o “plot twist” da vida real. Mais impactante que saber que o Darth Vader é o pai do Luke, ou que o Bruce Willis estava morto desde o começo do filme.
 Vi seu pintinho no monitor!
 O tempo parou pra mim. Silêncio... Uma felicidade nunca antes sentida por mim, me tomou por completo. Chegou a transbordar, sem poder ser contida, através dos meus olhos. Chorei (muito) de felicidade. De emoção. Eu não fazia ideia que como eu queria ter um filho homem! Nunca tinha realmente parado pra pensar. O vácuo temporal causado pela imagem do seu “pintinho”, me fez pensar que nem eu sabia quanto eu queria que você fosse um menino.
 Depois, com mais calma já conseguia me imaginar jogando bola com você na rua de casa, você com a camisetinha do flamengo e chutando a bola sem muito equilíbrio, assim como meu pai fez comigo quando eu era uma criança.  Fico feliz de imaginar você saindo comigo pra cortar cabelo na barbearia, ir ver o jogo do JEC mesmo com você mais interessado na pipoca que no jogo. Andar de bicicletinha ou jogar videogame, ou qualquer uma dessas “coisas de meninos”. E se isso não acontecer da forma que eu imaginei, não tem problema, a felicidade de poder planejar isso com você já é uma grande felicidade pra mim...

Muitas mudanças para uma pessoa tão pequena

Filho, muita coisa aconteceu nesse intervalo entre hoje e o último dia que te escrevi.
Você fez coisa incríveis como: Dormiu a noite toda, sentou apoiando seu cotovelos para levantar, tomou banho de chuveiro (você não cabe mais na banheira), tomou mamadeira de NAN e aprendeu a pegar a bolinha colorida com suas mãozinha de cima da mesa.
Você aprende muito rápido e eu não consigo descrever como passa rápido!
Hoje você tem 151 e está às vésperas de completar 5 meses. Sua mãe volta a trabalhar daqui dois dias e já está sofrendo de saudades por antecipação. Você irá ficar na vovó Bel até o final do ano. Depois, escolinha. Pelo menos esse é o plano. Depois te conto se deu certo.
Você está grande, lindo e simpático. Você só não gosta de gente feia, porque quando gente feia brinca com você, você faz bico e chora pra espantá-los!
Como falei, você está tomando algumas mamadeiras de NAN durante o dia. Isso faz você ficar mais tranquilo, seu coco mais fedido e seu pai muito feliz de poder te alimentar.

Seu cabelo de recém-nascido caiu e você está com um moderno penteado moicano que, combinado com os bochechas gordinhas e sua simpatia, deixa você como o menino mais lindo do mundo (pelo menos do meu mundo!).
Você está dormindo bem, mas acorda as 6:00 da manhã em média. Isso me dá bastante sono, mas eu adoro passear com você no colo pelo bairro de manhã cedinho. Contorno o quarteirão e você tira um cochilo no meu colo. Fazemos isso pra dar uns minutinhos a mais de sono pra mamãe, que também está sempre com sono.

Filmei seu bom humor ao acordar. Me peça para te mostrar como você ficava feliz ao me ver quando eu te busco no berço. Você fica feliz e eu mais apaixonado a cada dia.
De tudo que passamos até agora, só reclamo de uma coisa. De eu ter demorado tanto pra te conhecer. De eu ter demorado para entender o sentido disso tudo!

Até quem não é de rezar, rezou.

Meu filho,
Hoje é 25/09 e você está com 132 dias, um pouco mais de quatro meses. Você está ficando mais loirinho, ainda mais depois que eu e sua mãe cortamos seu cabelo e agora, sem que nós planejássemos, você apresenta um corte moicano.

Domingo passado foi o seu batizado. Seu avô Paulinho, sua avó Lena, sua tia Marcinha e o atual noivo dela o Mathew vieram (eles agora são seus padrinhos do coração, ou “Step God Parents” na língua deles). Claro que seus padrinhos e a Bibi, a vovó Bel e vovô Vando também estiveram presente. A missa estava marcada para as 9:00h da manhã, e pra variar acordamos atrasados, sua mãe foi nervosa sem tomar café e sem dar de mamar para você. Mas deu tudo certo. Teve uma missa e o padre te abençoou de todas as formas, foi muito bonito.  Na metade da missa sua mãe te levou para mamar na capela. Segundo ela você mamou muito bem. Acredito que com as bênçãos você estava mais calmo. Depois da missa um churrasco lá em casa e um bolo de abacaxi da vó Bel para a sobremesa.
Para a igreja católica o batismo transforma a pessoa em cristão, ou seja, que crê em Cristo. E isso é muito importante para os católicos. Seu avô, o careca, não é muito religioso. Não frequenta a igreja,  não reza, não segue a bíblia.
Mas nesse dia, ainda na igreja, ele com o olho cheio de lágrimas chegou pra mim e falou “ai que bom, o que eu mais queria era que o Vininho fosse batizado!”, e em seguida falou “má é lindo né?”, te deu um beijo na testa e saiu enxugando as lágrimas.  
Sua mãe, ainda no altar, durante a missa, falou ao microfone que gostaria que você seguisse “o caminho de Jesus” (ela também não é lá muito religiosa).
Eu fui batizado, fiz primeira comunhão, crisma e casamento. Frequentei a igreja quando criança, mesmo sem entender direito o que era aquilo lá. Eu ia mais para agradar a sua bisavó paterna e para acompanhar meu pai. Mesmo assim me tornei um adulto que não segue uma religião. Até gostaria de seguir, mas não o faço.
Será que você será religioso? Será católico? Frequentará a igreja? Sei não... o seu futuro, a Deus pertence. E que Deus te abençoe...

Os seus primeiros 100 dias...

Exatamente 107 dias hoje! Você se tornou um bebe brincalhão. Adora quando conversamos com você.  Você responde com os sons mais fofos que podem existir. Seu cabelo está mais claro, pois as madeixas escuras estão caindo e uns fios dourados aparecendo. Ainda é a cara da sua mãe, segundo quase todo mundo. Você é uma criança calma e sadia. Gosta muito de colo, o que deixa seus pais exaustos.
Agora que somos pais, conversamos muito, com outras pessoas e entre nós. Lemos muitas dicas de como criar você da melhor forma possível. Que horas você deve dormir? Que choro é esse? Será que você tem cólica? Isso é fome? É personalidade forte? É brabo igual a mãe? Agitado igual o vô careca? Não sei... e talvez nunca saibamos.
Escutamos de muita gente que criar um filho não é fácil, que temos que abrir mão de muita coisa. Noites sem dormir, terças de poker, viagens, sonhos, vontades, abrir mão de algumas coisas que gostamos muito. É tudo verdade, mas isso é papo de adulto. Nós adultos gostamos de falar das dificuldades para termos orgulho das nossas vitórias (você). Bobeira né? Provavelmente você vai escutar eu comentando de como era difícil ficar com você no colo por horas e horas, e quase nunca que nos seus primeiros 100 dias eu dei mais gargalhadas que nos últimos  vinte anos. Vai ouvir sua mãe falar de como era difícil amamentar você nas madrugadas e talvez nunca vá ouvir dela que você a transformou em uma pessoa muito melhor. Muito! Hoje ela divide, escuta, cuida e ama como nunca tinha feito anteriormente. Pra você ela guardou o amor... assim como a música que cantei e canto pra você.  
100 dias intensos, difíceis, sonolentos, trabalhosos, parece que foram 500.
100 dias muito aproveitados, 100 dias de carinho, de alegria nas grandes coisas pequenas. 100 dias de aprendizagem constante. Fiz primário e ginásio (no meu tempo chamava assim), faculdade, alguns cursos técnicos, especialização, mestrado e nunca aprendi tanto como nesses 100 dias. Nunca mesmo!
100 dias que não sei se estou fazendo certo ou errado. E nem quero saber. Sei que não mudaria nada desses 100 dias.
O sorriso do berço pela manhã virou uma gargalhadinha, o que já era bom ficou ainda melhor... 

O dia que você nasceu...

Marcado para as 7:00 horas de sábado. Sua mãe, com um barrigão desconfortável de 39 semanas, não via a hora de te ver.  Morávamos em um local tranquilo, onde não se escutava barulhos, a não ser dos pássaros de hábitos noturnos (motivo para outra história, que depois te conto).  Mas nesse dia, o neto adolescente do vizinho fez uma festa que varou a madrugada. O que foi bom. A conversa adolescente me distraiu, já que a ansiedade não iria mesmo me deixar dormir.
Madrugamos,  #partiuterfilho. Aguardamos o médico. Atrasado, pois calmamente tomava café com seus pais. Sua mãe entrou. Eu, super nervoso, digitava incontroladamente no whatsapp (um aplicativo da moda em 2015) relatando os acontecimentos aos amigos. Me chamaram, entrei com câmera fotográfica, filmadora e celular para registrar seu primeiro choro. Consegui! Filmei você logo que nasceu e registrei seus primeiros segundos de vida. Te vi antes da sua mãe, e comentei “cabeludo, cabelo pretinho...” com os olhos cheios d’água. Chorei mesmo foi quando horas depois você em meu colo, quietinho, abriu os olhos e me olhou. Olhos claros de recém-nascido. Não sei ainda como seus olhos serão. Hoje você tem quase três meses e, segundo consta, essa cor clara ainda pode mudar. Chorei novamente, com mais emoção ainda, na sua primeira noite. Você chorava muito e para deixar sua mãe dormir um pouco, saí do quarto da maternidade e fui para um hall do hospital,  onde tinha um sofá. Cantei baixinho que “pra você guardei o amor que nunca pude dar...” e “que o mundo é bão sabastião”, mesmo sem saber a letra toda. Aí chorei muito, quase tanto quanto quando vi seu pintinho no ultrassom uns meses atrás (também te conto outra hora). Chorei por conseguir acalmar você, por perceber e confirmar que você era o que me faltava.
Você hoje está com 76 dias, eu a 77 sem ter uma noite suficiente de sono, o que não importa mais tanto, desde que você me dê sempre esse sorriso quando eu te tirar do berço.